terça-feira, 23 de maio de 2017

Preguiça

Prostração
Vagarosidade no nascer do Sol
Vagarosidade no cantar do galo
Vagarosidade em por o escudo da sola dos pés

Dormência
Insipidez no paladar
Insipidez no tato da chuva artificial
Insipidez nas cores que mostrarei ao mundo

Atalho
Facilitador de congestionamentos
Facilitador de espaços para metal, borracha e outros itens de fábrica
Facilitador da boa vontade para com todos

Sedentário
Incólume no relógio
Incólume no ofício
Incólume no relógio

Procrastinação
Objetivando o rumo de volta
Objetivando as realizações que nunca chegam
Objetivando uma mudança de rotina

domingo, 23 de abril de 2017

Elementos de estilo - O vestido do céu

Os olhos da Terra fitam o Céu,
e esse tem reações das mais diversas

Quando desnudo por sua limpidez,
durante a festa de Selene ou de Hélio,
mostra-se desinibido e constante,
com a mente leve e transparente
os sorrisos de Hélio e Selene encontram nele sua janela para percepção alheia

Quando coberto pelo vestido de Nimbus,
Hélio e Selene são ofuscados,
e sua própria mente encontra-se fechada

Os vestidos cinza de Nimbus são de uma temática que leva a lágrimas,
seja pelo fato de esconder o corpo do Céu,
quando o mesmo busca a liberdade de tato do olhar - Pranto triste -,
seja pelo fato de se emocionar com seu belo vestido,
confeccionado pelos seus demais irmãos e irmãs - Pranto alegre -

Esses são somente dois dos olhares da Terra para com o Céu,
pois possuindo múltiplos pontos/terrenos,
seres e por conseguinte perspectivas,
uma miríade de olhares podem ser lançados

quinta-feira, 23 de março de 2017

Dificuldades

Encontrei-me num estado na qual poderia reduzir, de maneira breve, como uma
preposição comumente usada em locuções adjetivas,
todavia de maneira fonética francesa, juntamente com a força determinada por
Pascal que possui como unidade um homônimo ao seu criador.
Lastimando sobre divagações diacrônicas acerca do meu eu ontológico,
pressupondo intuitivamente uma resolução silógica deprimente, levando-me
a diversos momentos posteriores "cliffhangers", com inclinações normalmente
funéreas.

Tais estados, presumo, advém de tentativas de respostas aos "entraves"
encontrados no cotidiano, quer sejam fatores familiares, quer sejam de
epifenômenos a estes.

Como numa rua sem saída, esgueirando num beco escuro, atrás de uma lixeira
numa noite chuvosa, perdia-me em devaneios mediante buscas pelo oculto,
misturando fatos ilustrados em histórias consideradas pueris, juntamente a
extrapolações mentais acerca disto.

Depois de éons figurativos, minha mente, que se encontrava completamente
remendada, tentando buscar razão a balburdia que é a mera existência,
depara-se com um amigo que sempre me acompanhou: O Conhecimento.

Ele sempre esteve ao meu lado, porém, de todos as maneiras tentei renegá-lo.
Talvez numa tentativa de "seguir" norma comum, ficar entre a média, dei as
costas a tal companheira. Digo no feminino, porque sua irmã, a razão, é
intrínseca a ele.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Esconderijos

Quando não tem vontade de se expor
um Sentido busca um Refúgio,
um lugar seguro,
um esconderijo

A Audição,
quando foge do Som,
se refugia no Silêncio

A Visão,
quando foge da Luz,
se refugia na Escuridão

O Olfato,
quando foge das Fragrâncias,
se refugia no Inodoro

O Paladar,
quando foge dos Sabores,
se refugia no Insípido

O Tato,
quando foge do Contato,
se refugia na Insensibilidade

E os Esconderijos,
quando fogem da Fuga,
se refugiam nos Sentidos

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Intermitência

Momentos de espera

Intervalo entre estados

Descanso até a próxima ação

Hora de anúncios

Exibição do restante do quadro

Ida a sala ao lado

Restrição de conjunto

Variação em delta

Espaço entre dois pontos

Página em branco

Distinção entre parágrafos

Intercalação entre início e fim

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O que importa se...

O que importa se...

Sou capaz de contar as 31 gotas penduradas em meu varal
(se a chuva torrencial sempre as faz e desfaz)

Vejo o bater de asas de um pássaro,
e este intenta proteger-se da chuva
(se o mundo é um gigantesco esconderijo aberto,
cujas chaves e trancas se encontram em meus olhos e minha mente)

O prazer da caçada supera o da razão
(se a presa se afugenta em sua casa,
aérea e não-vestigial,
não sabendo que o não saber só é notado por aqueles que sabem)

Sei perder horas comprando minutos e segundos para a vida,
e com essas acrescento ao meu saber tempo escasso
(se o saber se cria no infinito,
e este torna-se pai do finito,
ensinando-o a distância entre sua cabeça e seus pés)

Me amedronto e permaneço fixo em um ponto,
ancorado somente numa ideia de fuga e medo
(se piso no deserto gelado dos sentidos,
tornando dormente os meus pés e mãos,
deixando-me incapaz de poder correr para abraçá-la)

Dou ouvidos a insensatez,
guiado pela loucura e pelo desejo
(se a razão é nítida como a noite tempestuosa,
rápida como um rio represado
e próxima como o outro lado do mundo)

As gotas caem,
trazidas por pássaros até suas casas,
que se encontram no infinito e inóspito outro lado do mundo
(se você se vira e olhe por detrás de suas costas,
e percebe a real distância entre o infinito e o que seus olhos e mãos podem alcançar)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Oceano

Afogando-me num oceano de pensamentos
Pergunto a profundidade do mar
Que é capaz de me arrebatar
E me levar até o longínquo continente

Terra essa que é o oposto da alegria
Do prazer e da esperança
Que afugenta até o fim

Por isso sinto que começo e meio enlouqueceram
Num círculo vicioso de ápices e retornos
Levando-os para dentro do oceano fundo e denso

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