terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Maná

Somos alimentados com ódio e crueldade,
somos equipados com fogo em tochas,
residimos em ocas feitas de sangue seco.

Nos deitamos em camas de cemitérios,
pois o ódio que nos alimenta mata nosso coração e sonhos,
restando somente matéria em decomposição.


O feng shui maldito urbanístico nos diz que massas sem rostos,
com corações, sonhos e dignidades,
desarmonizam nossas ruas.

A solução óbvia é fazer deixar de existir quem já não existe.

Magnífica sociedade modernizada, justa e democrática,
que entretém seu rebanho com mistérios cercados por cimento e tijolos,
adornados com preenchimentos de símbolos que conectam a figuras de doutrina.

Meus autofuncionários pseudo-patrióticos,
que se inflamam com suas tochas para atrair o maior público possível,
e entretém seus donos, que nada mais são que seus próprios bolsos.


O ódio não cabe mais no corpo, invadindo as ruas, se mesclando as massas.
O fogo se alastra violentamente para além das tochas, consumindo juízos,
éticas e o corpo alheio, até tomar todas as ruas.

Tão seco quanto as ocas são os corpos e mentes no futuro,
engolfados por rios de ódio e fogo,
que eventualmente consumirão a esfera que ficou oca,
seja a dentro do peito ou do universo.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Aliterações - Acróstico

A preliminares para se eliminar elos enlouquecidos com a eloquência demasiada deduzida dentro de diegeses são:

Discordância de...
unanimidades
vacilantes
induzidas pelo
dimensionamento da obscuridade
ampliada por conta da
sapiência política de palavras

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Pseudo-meritocracia

Para coroa - o rei
Para homofobia - o gay

Para o homem - o reinado
Para mulher - o mero fardo

Para o branco - o padrão
Para o negro - a escravidão

Para o rico - o consorte
Para o pobre - a própria sorte

Para o cabelo europeu - o perfume de jasmim
Para o negro africano - a taxação de que é ruim

Para gostosa e esbelta - a capa de revista
Para gorda e desajeitada - o escárnio e o medo de ser vista

Para o garanhão e pegador - qualquer elogio que proponha
Para galinha e safada - vários nomes pela vergonha

Para princesa - o amor puro e estima
Para puta - o cafetão e a esquina

Para o próximo,
que também da Terra oriundo,
mais sorte não neste,
mas num outro mundo

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

(Verdades)

(Uma poetiza)
(Pois seu pai era um mundo sem formas)

(e da morte)
(anda normalmente por veredas)
(o mundo fora daquele que nasceu não a perdoa)

(Se sua roupa)
(para passar dos limites)
(se ela é), ("sinal vermelho")

(Porém, metade e inteiro) -

(está no banco dos réus)
(Bem como o valor)

(de origem)
(e pensando e confabulando)
(define)
(julga)
(o que basta)

(A régua me mede seu valor)

(mesmo quando é a primeira)

(Todos com ela são cavalheiros)
(e por conseguinte encaram a vida como uma justa)
(Se a vida é feita de metades complementares - de laranjas, de ideias, de almas, de amores, -)
(são incompletos)
(na próxima pessoa)

sábado, 23 de setembro de 2017

Aliterações - Palavras para o povo

Consciente do concílio claro de ideias,
que me elevam na missão imiscível com o preconceito preponderante,
proposto por hipócritas triviais.
Transvestidos por vestimentas de garbo e elegância,
que elegem engravatados,
tardios nas tardes de trabalho intermitentes.
Que no pronunciamento praticam pululo de palavras não-palatáveis para o povo empobrecido,
esquecido,
que sofre de esquistossomose.
Doença bem comum,
do irmão que não tem um,
e é relegado ao relento,
e do outro lado do Estado tem o irmão que é violento,
valente e violentado,
pelo motivo de ser o excluído:
por sua cor,
sua idade,
seu sexo(e com quem o pratica),
o que nem de longe justifica a atitude agressiva,
que infelizmente é aplaudida/ovacionada,
por viciados em verdades inverossímeis,
apáticos a empatia,
e na iminência do terror,
que é transformado em louvor,
pela mídia que convém,
aliviando os erros do chamado "cidadão de bem",
que em turba fere,
mutila e assassina,
e a apresentadora que com palavras fascina,
o atestado de óbito assina,
da bruxa confusa,
pela confusão de corpos e vozes,
que se transmutam em algozes,
e ao fim levam(ledo engano)

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O singular passeio plural

O Ser Humano resolve dar um passeio fora de casa, dentro do seu lar que é o planeta. No beco sem saída que leva a toda parte ele reconhece o Desconhecido: o Acaso da Vida vem determinado pela Morte. Essa o conduz até o céu, no âmago da Terra. Lá, ele está completo, pois se encontra fragmentado em incontáveis pedaços.

Após o sono o Verde o traga de seu céu, levando-o a reencarnação sem vida própria. Seu corpo é o Herbívoro, seu corpo é o Carnívoro, seu corpo é o seu Próximo. E o Próximo. E o Próximo. Até não poder encontrar mais. Até que se encontra, perdido em outros, e finalmente concebido a partir de um novo Eu.

Entretanto, ele não percebe que já não é ele mesmo. Tampouco já que é vários, e que reencarnou antes, agora e ainda em curso.

Seu passeio chegou ao fim, ao início e ao meio.

domingo, 23 de julho de 2017

As meias...

Anna Eliza é...
...que precisava de palavras

Assídua aluna da vida...
...que bem lhe convém
Mesmo assim, ...

...está pela metade,
julgam que é um sinal verde...
...um inteiro, a sentença é...

...a quem isso realmente diz respeito?
Ao respeito que o outro imputa ou a falta de respeito com a liberdade da vida alheia?

Sua capacidade também...
...dessa capacidade

Usando seu mundo...
...com as palavras,
ela se...,
...e absolve por si só,
pois é...

...é vagabunda

É sempre a segunda da classe,
...

..., mas somente porque são homens com muitos ''H's''
(e esse se acrescentam em todas as palavras que os definem),
...,
e "elas" como prêmios em disputa e honra

...,
seria de bom grado que pensassem que suas ações(e comportamentos)...,
e que a busca pela completude se encontra...

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